(Um pouco de contexto antes da leitura: outro texto que foi dedicado a uma amiga durante um momento difícil, a quem quis emprestar minha compreensão sobre a dor que ela enfrenta)
Talvez essa seja só mais uma revoada de palavras débeis que eu deixarei juntar poeira num canto qualquer de uma gaveta, fechada em uma caixa de plástico selada em fragmentos de uma alma que, pela sua, se despedaça.
Você se diz fazendo-se em mármore, perdida entre dores e lágrimas, mas ora, nas mãos delicadas de quantos artistas a crueldade dolorosa do cinzel e a umidade das águas não construíram no mármore a mais bela das peças? Talvez seja verdade que você esteja aprendendo a ser mármore, mas quantos bustos de Júlios Césares e quantos santos, anjos e sacristão já não o foram antes? Quantas madonnas, quantas obras-primas não precisaram, primeiro, ser dura pedra?
Você me diz que não enxerga em si a aura, a alma e a integridade que eu vejo, então eu quero lhe emprestar meus olhos, ou ao menos minhas letras, para quando as suas próprias palavras te quiserem trair. Você me dirá 'dói', mas eu estarei aqui para te lembrar que é apenas o atritivo talho do cinzel, você me dirá 'me escorrem lágrimas', e eu te lembrarei que a água precisa molhar o cordame para que ele a esculpa. Você não será uma obra trabalhada em dias, não será uma peça talhada aos poucos, e talvez agora você veja o bloco duro sem conseguir, na visão do artista, enxergar a peça final, mas há aí uma obra-prima a ser esculpida, que terá tanta realidade e realeza, que veremos todos dançar entre finíssimos tecidos de pedra enquanto todos aplaudimos admirados, enquanto só você saberá do doer de cada cinzelada a cortar-lhe a pele.
Mas estou aqui e estarei aqui, e cada talho de cinzel que te fizer sangrar, fará em mim romper um fragmento de alma.
Mas estou aqui!
Lindo! Muito Lindo! <3
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